Uma das espécies mais raras da fauna brasileira tem o Vale do Ribeira como único lar conhecido. A jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), serpente encontrada exclusivamente na região, ganhou destaque em reportagem recente do Terra da Gente, chamando atenção para os mistérios que ainda cercam o animal e para os esforços realizados para garantir sua conservação.
Endêmica do Vale do Ribeira, a espécie depende das áreas preservadas de Mata Atlântica da região para sobreviver. A raridade dos encontros com o animal fez com que, durante décadas, pesquisadores tivessem poucas informações sobre seus hábitos, comportamento e distribuição. O Instituto Butantan já descreveu a Corallus cropanii como uma das jiboias mais raras do mundo.
Descrita cientificamente em 1953, a jiboia-do-ribeira passou longos períodos sem ser encontrada viva. A situação começou a mudar principalmente a partir do trabalho desenvolvido pelo Projeto Jiboia-do-Ribeira, que completa dez anos de atuação em 2026 e reúne pesquisadores, instituições e moradores em atividades de monitoramento, pesquisa e educação ambiental.
Comunidade ajuda pesquisadores
A participação dos moradores tem sido uma das principais ferramentas para ampliar o conhecimento sobre a espécie. Ações de educação ambiental realizadas em comunidades do Vale ajudam a população a reconhecer a serpente e a acionar pesquisadores quando um exemplar é localizado, evitando que o animal seja morto por medo ou desconhecimento.
Esse trabalho já apresentou resultados importantes. Em 2020, uma fêmea adulta encontrada por moradores do bairro Guapiruvu, em Sete Barras, foi acompanhada por pesquisadores e posteriormente devolvida à natureza com um radiotransmissor, permitindo o monitoramento de seus deslocamentos.
Em 2026, outro registro trouxe novas informações para a ciência: o primeiro indivíduo jovem da espécie encontrado vivo foi localizado por um morador da comunidade do Guapiruvu, em Sete Barras. O animal tinha cerca de 80 centímetros e passou a ser acompanhado por especialistas.
Ao longo dos dez anos do projeto, três indivíduos já haviam sido monitorados de perto e, em 2026, outros dois exemplares estavam sob acompanhamento de pesquisadores. Os estudos são coordenados pelos herpetólogos Bruno Rocha e Daniela Gennari e buscam compreender melhor aspectos da vida de uma espécie que ainda guarda inúmeras perguntas para a ciência.

Símbolo da biodiversidade do Vale do Ribeira
A existência da jiboia-do-ribeira reforça a importância ambiental do território. Registros da espécie estão associados a áreas de Mata Atlântica preservada, incluindo regiões próximas a unidades de conservação como o Parque Estadual Intervales e a APA da Serra do Mar.
Mais do que uma curiosidade científica, a serpente tornou-se um símbolo da biodiversidade encontrada no Vale do Ribeira. A proteção das florestas e o envolvimento das comunidades locais são considerados fundamentais para que novos exemplares possam ser identificados e para que pesquisadores descubram mais sobre uma espécie que, apesar de ter sido descrita há mais de sete décadas, ainda é cercada de mistérios.

Fonte: Terra da Gente/g1, Instituto Butantan, Fundação Florestal e Projeto Jiboia-do-Ribeira.