Agricultoras de Barra do Turvo receberam integrantes de grupos de consumo responsável para mais uma edição do intercâmbio anual promovido em parceria com a Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras da Barra do Turvo (RAMA) e a Rede Esparrama. Realizada entre os dias 4 e 6 de junho, a atividade reuniu 45 mulheres que viajaram de São Paulo ao Vale do Ribeira para conhecer de perto os territórios, a produção agrícola e os conhecimentos mantidos pelas agricultoras da região.

 

As participantes foram recebidas em diferentes comunidades onde vivem e trabalham mulheres responsáveis pela produção de alimentos que chegam aos grupos de consumo da capital paulista. O intercâmbio busca fortalecer a relação direta entre quem produz e quem consome, além de ampliar a troca de experiências sobre agroecologia e formas de produção desenvolvidas nos territórios rurais e quilombolas.

 

Também participaram representantes da cooperativa de consumo Gomocop, pesquisadoras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), integrantes da Marcha Mundial das Mulheres, do acampamento Marielle Vive e do movimento de hortas urbanas de Campinas.

 

FOTO: SOF Sempreviva Organização Feminista

 

Saberes compartilhados nos territórios

 

Durante a programação, as próprias agricultoras organizaram oficinas para apresentar práticas e conhecimentos presentes no cotidiano das comunidades. Entre as atividades estiveram o uso de ervas medicinais, a produção de farinha de milho utilizando monjolo, a preparação de melado e açúcar mascavo, o manejo de sistemas agroflorestais, a colheita de erva-mate e a produção de queijos e outros derivados do leite de búfala.

 

A experiência permitiu que as visitantes acompanhassem diferentes etapas da produção dos alimentos e conhecessem práticas agrícolas preservadas e transmitidas dentro das comunidades. Além do aspecto produtivo, o encontro também colocou em discussão temas como soberania alimentar, consumo responsável, economia solidária e valorização do trabalho desenvolvido pelas mulheres no campo.

 

No encerramento, realizado após uma confraternização no quilombo Ribeirão Grande, as participantes se reuniram para atividades de jogos teatrais inspirados em técnicas do Teatro do Oprimido. A festa junina realizada durante o intercâmbio também já se tornou parte da programação dos encontros anuais, envolvendo as agricultoras na organização e preparação coletiva dos alimentos.

 

FOTO: SOF Sempreviva Organização Feminista

 

Rede conecta produção de Barra do Turvo aos consumidores

 

A RAMA reúne agricultoras familiares e quilombolas de Barra do Turvo que trabalham com diferentes formas de produção agroecológica. Em levantamento publicado em março de 2026, a rede contava com cerca de 80 mulheres distribuídas em dez bairros e quilombos do município, com produção em quintais, roças tradicionais e sistemas agroflorestais.

 

Parte dessa produção chega aos consumidores por meio da Esparrama, rede formada por grupos de consumo responsável. Mensalmente, as agricultoras organizam os produtos disponíveis e os pedidos são reunidos pelos grupos consumidores. A iniciativa reduz a distância entre produtores e consumidores e cria uma alternativa para o escoamento da produção agroecológica de Barra do Turvo.

 

Os intercâmbios realizados no Vale do Ribeira fazem parte dessa relação construída ao longo dos anos. Além da comercialização, os encontros permitem que consumidores conheçam pessoalmente as agricultoras, os territórios e os processos envolvidos na produção dos alimentos, fortalecendo uma conexão que vai além da compra e venda e valoriza os conhecimentos e os modos de vida das comunidades locais.

 

FOTO: SOF Sempreviva Organização Feminista

 

FOTO: SOF Sempreviva Organização Feminista

 

 

Fonte: Sempreviva Organização Feminista (SOF) e Articulação Nacional de Agroecologia.