As fortes chuvas que atingiram o Vale do Ribeira em setembro de 2026 provocaram uma nova cheia do Rio Ribeira de Iguape e de outros cursos d'água da região. O avanço das águas atingiu áreas urbanas e rurais, interrompeu acessos, isolou comunidades e obrigou famílias a deixarem suas casas.

 

IMAGEM @tannoair

Alertas antecederam o agravamento da cheia

 

Antes do agravamento da situação, os alertas meteorológicos já indicavam a possibilidade de tempestades severas. Em Registro, por exemplo, a Prefeitura divulgou em 11 de setembro um alerta baseado nas análises da Defesa Civil do Estado, com previsão de chuvas intensas, rajadas de vento, raios e possibilidade de granizo. Entre as medidas preventivas adotadas estava a suspensão das aulas da Rede Municipal.

 

A partir do dia 11, a chuva persistente passou a exigir atenção sobre toda a bacia hidrográfica. O cenário também envolvia o Paraná, onde as precipitações elevaram as vazões de rios e reservatórios.

A Copel, Companhia Paranaense de Energia, empresa responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no Paraná, informou que aumentou gradativamente a abertura das comportas da represa do Rio Capivari, em Campina Grande do Sul. O reservatório está ligado ao sistema da Usina Hidrelétrica Governador Parigot de Souza.

 

NOTA: @99fmregistro

 

Segundo a companhia, a medida foi adotada diante do aumento do volume de água recebido pelo reservatório e integra os procedimentos de segurança para controle das vazões. A operação é realizada de forma coordenada com o Operador Nacional do Sistema Elétrico e acompanhada pela Defesa Civil.

Nos dias seguintes, a elevação dos rios passou a produzir impactos diretos nos municípios do Vale do Ribeira. Em Eldorado, famílias começaram a ser retiradas preventivamente de suas residências. No domingo, 13 de setembro, a Defesa Civil contabilizava 54 famílias, somando 173 pessoas, retiradas de áreas atingidas pelo avanço do Rio Ribeira de Iguape.

 

Sete Barras também já registrava vias, propriedades rurais e moradias afetadas. O monitoramento da SP Águas apontava pontos de extravasamento em diferentes trechos da bacia.

 

Ribeira Plus inicia cobertura com orientação técnica

Foi diante desse cenário, enquanto o comportamento do rio ainda provocava dúvidas e as informações circulavam rapidamente pelas redes sociais, que a Ribeira Plus iniciou uma cobertura especial sobre a situação.

 

No domingo, 13 de setembro, a emissora realizou a primeira transmissão ao vivo voltada à compreensão do que estava acontecendo na Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape.

Participaram Rafael Guimarães, educador ambiental e diretor de projetos da PreserValle, e o professor João Vicente Coffani Nunes, da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira da Unesp, em Registro, e coordenador da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul, o CBH-RB.

 

A conversa buscou explicar a situação da bacia, os caminhos para acompanhar o nível dos rios, a importância de consultar informações provenientes de fontes oficiais e técnicas, os cuidados necessários nas áreas atingidas e as formas de mobilização em apoio aos municípios, comunidades e famílias.

 

IMAGEM: Live do dia 13/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

ASSISTA A LIVE COMPLETA: https://www.youtube.com/live/ta1ZdMmPK3U?si=Uh_6cLL-ZL855NQS

 

Cheia avança e amplia impactos na região

Nas horas seguintes, o cenário se agravou.

 

Eldorado teve áreas tomadas pelas águas. Em Sete Barras, as inundações alcançaram propriedades e residências. Comunidades rurais, quilombolas e indígenas enfrentam dificuldades de acesso. 

Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo também registraram impactos relacionados à cheia e às chuvas. As operações passaram a envolver Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, prefeituras, forças de segurança e equipes estaduais.

 

Na segunda-feira, 14 de setembro, a dimensão da emergência já estava presente em diferentes pontos do Vale. O Governo de São Paulo informou a montagem de 19 abrigos em seis municípios e o atendimento a 152 famílias.

 

Em Eldorado, a inundação atingiu inclusive a área do hospital municipal, exigindo a transferência dos atendimentos. Trechos de rodovias foram interditados, enquanto equipes e embarcações eram mobilizadas para alcançar áreas isoladas.

 

IMAGEM: Centro do município de Eldorado (SP)

 

 

Plantões acompanham a emergência em tempo real

Foi nesse contexto que a Ribeira Plus ampliou a cobertura e realizou um plantão ao vivo dedicado às enchentes.

A transmissão do dia 14/09  passou a acompanhar a emergência enquanto ela acontecia, reunindo notícias e atualizações dos municípios, informações de utilidade pública, registros enviados e imagens compartilhadas nas redes sociais publicadas por moradores.

 

O plantão buscou organizar informações que chegavam de diferentes pontos do território. Com áreas urbanas, rurais e comunidades tradicionais afetadas pelas águas, a transmissão reuniu situações registradas em diferentes municípios e acompanhou a evolução da cheia ao longo do dia.

 

IMAGEM: Live do dia 14/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

ASSISTA A LIVE COMPLETA: https://www.youtube.com/live/yydYvtNqLWg?si=7auZEpLcQRkcj144

 

Na terça-feira, 15 de setembro, a Ribeira Plus manteve o plantão especial, desta vez com Nelsinho e Willian Rodrigues na apresentação. Ao longo da transmissão, os apresentadores acompanharam as novas informações sobre as enchentes e mantiveram diálogo com o público, reunindo atualizações, dúvidas e relatos que chegavam de diferentes pontos da região.

 

Rafael Guimarães voltou a participar da cobertura, trazendo orientações sobre as enchentes e reforçando a importância do acompanhamento por fontes técnicas e oficiais. 

O especialista aponta uma negligência notória por parte das empresas administradoras quanto à transparência pública dos dados de telemetria (monitoramento da vazão da água). 

 

Enquanto concessionárias de outras regiões (como a Copel no Paraná) disponibilizam portais claros com atualização horária e acessível a qualquer cidadão, no Vale do Ribeira a população depende exclusivamente da boa vontade ou de manifestações da empresa. 

 

Existe uma negligência notória por parte da empresa que administra na transparência desses dados. No âmbito técnico, chamamos de telemetria, que é o estudo da vazão da água. [...] Não é certo que para uma pessoa ter acesso à informação, ela precise fazer um curso só. Imagine o seu João da Capuava com o bananal alagado que nem internet tem. Como que ele vai ficar sabendo que a represa está cheia e o bananal dele vai ser submerso? - Relata Rafael

 

Em um momento marcado pela circulação rápida de vídeos, mensagens e previsões nas redes sociais, sua participação ajudou a contextualizar os dados e a compreender que o comportamento do Rio Ribeira de Iguape precisa ser observado a partir da dinâmica de toda a bacia hidrográfica.

 

IMAGEM: Live do dia 15/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

ASSISTA ESSE TRECHO DA LIVE: https://www.youtube.com/live/QR6M0u3zSHE?si=_7LBtd9uSHWOhS_o&t=5652 

 

O plantão também abriu espaço para acompanhar a situação das famílias acolhidas em Registro. No Ginásio Mário Covas, naquele momento, estavam abrigadas 30 famílias, totalizando 103 pessoas, segundo levantamento divulgado pela Prefeitura.

 

Em entrevista à Ribeira Plus, o vice-prefeito Fábio Tatu destacou a necessidade de uma resposta coletiva diante da emergência, envolvendo poder público, equipes de atendimento, empresas, entidades e a própria comunidade.

 

A situação das cheias, ela é já um episódio sazonal em nossa cidade, dessa vez com um pouco mais de intensidade, porém a gente tem toda essa questão de planejamento de cidade e entender que as vulnerabilidades estão nessas ocupações desordenadas da cidade.. Porque um momento como esse, a gente tá aí articulando atendimento psicológico, atendimento humanitário, a gente agradece muito às pessoas que têm colaborado com isso, os grupos da sociedade civil, grupos de amigos, entidades, religiões, o sistema S (Sesc, Senac,Sebrae) muitas instituições, a rede privada colaborando com mantimentos… porque é um momento, é um afago no meio de tanto caos. - Fábio Tatu

 

IMAGEM: Live do dia 15/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

ASSISTA ESSE TRECHO DA LIVE: https://www.youtube.com/live/QR6M0u3zSHE?si=LkhncCJCzcQYWdrQ&t=7249 

 

A mobilização não se limitava ao acolhimento das famílias. Envolvia alimentação, doações, organização dos espaços e identificação constante das necessidades de quem havia precisado deixar sua casa.

 

O prefeito Samuel Moreira também participou do plantão e falou sobre a estrutura montada para atender as pessoas alojadas no Ginásio Mário Covas. A entrevista abordou a organização adotada pelo município naquele momento de emergência e as medidas pensadas tanto para o atendimento imediato quanto para a preparação da cidade diante de futuras situações de cheia.

 

IMAGEM: Live do dia 15/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

ASSISTA ESSE TRECHO DA LIVE: https://www.youtube.com/live/QR6M0u3zSHE?si=-cs-O6VXp64nhntp&t=7626 

 

As entrevistas ampliaram a compreensão sobre os impactos da enchente. Além do nível do rio, a cobertura acompanhou o trabalho de quem precisava organizar os abrigos, atender famílias, distribuir recursos, tomar decisões e orientar a população enquanto a emergência ainda estava em desenvolvimento.

 

Enquanto as equipes atuavam em campo, o plantão buscava traduzir para o público o que estava acontecendo, quais cuidados permaneciam necessários e de que forma acompanhar a situação por informações verificadas.

 

Resgates e atendimento chegam a áreas isoladas

 

O Estado mantinha mobilizados 16 barcos e 2 helicópteros Águia para atender áreas isoladas pelas enchentes.

Entre as ações realizadas estava o atendimento à Aldeia Indígena Tekoa Takuari, que havia ficado sem acesso por terra. Na noite anterior, por volta das 20h30 de segunda-feira (14/09), equipes da Defesa Civil e do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar chegaram à comunidade de barco e entregaram água e alimentos aos moradores.

 

Durante o plantão de terça-feira, essa e outras operações integravam as atualizações sobre a mobilização das equipes de resgate e assistência em diferentes pontos do Vale do Ribeira.

 

IMAGEM: Bruno Santos (@bsantosfotografia) para a Folha São Paulo

 

Águas recuam, mas impactos permanecem

A situação ainda não terminou.

 

De acordo com o balanço divulgado pelo Governo do Estado na manhã de 16 de setembro, cerca de duas mil pessoas haviam sido afetadas pelas chuvas na região. Em Ribeira, Iporanga e Eldorado, as águas já haviam retornado à calha do rio e moradores começavam a limpeza das residências. Até aquele levantamento, não havia registro de mortos ou feridos em decorrência das ocorrências provocadas pelas chuvas no Vale do Ribeira.

 

Em outros municípios, entretanto, os efeitos da cheia permaneciam. Sete Barras, Registro e Pariquera-Açu ainda apresentavam pontos de extravasamento do Rio Ribeira de Iguape, principalmente em áreas rurais. Registro também permanecia com pontos de alagamento na área urbana.

 

O levantamento oficial contabilizava 28 famílias desabrigadas em Registro e 25 em Sete Barras.

As operações continuavam com 16 barcos e 3 helicópteros disponíveis para resgate e acesso a localidades isoladas. 

 

Em uma das ocorrências, um homem de 100 anos precisou ser retirado de uma área rural isolada pelas águas, com apoio de helicópteros da Polícia Militar, e levado para atendimento no Hospital Regional de Registro.

 

IMAGEM: @metropoles.sp

 

A ajuda humanitária também entrou em uma nova etapa. Defesa Civil e Fundo Social informaram o envio de mais de sete mil itens para municípios atingidos, incluindo kits de limpeza, higiene e dormitório, cestas básicas, água, colchões, cobertores e roupas.

A Secretaria Estadual da Saúde enviou ainda medicamentos e 159 mil frascos de hipoclorito de sódio para auxiliar no tratamento domiciliar da água.

 

Recuperação abre novos desafios para o Vale

 

Com o recuo das águas em algumas áreas, começam outros desafios. Casas precisam ser limpas, documentos recuperados, estradas restabelecidas e prejuízos avaliados.

Técnicos da agricultura também iniciam levantamentos sobre os impactos para produtores rurais, enquanto comunidades atingidas seguem dependendo de assistência e do restabelecimento dos acessos.

 

O monitoramento continua necessário. A Defesa Civil alerta que o solo permanece saturado e ainda há risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos. A previsão oficial também acompanha a possibilidade de novas chuvas com a passagem de outra frente fria nos próximos dias.

 

IMAGEM: Live do dia 15/09/2026 no cana do YouTube da Ribeira Plus

 

Informação, prevenção e planejamento

 

Desde a primeira conversa de orientação no domingo até os plantões realizados nos dias seguintes, a cobertura da Ribeira Plus acompanhou diferentes momentos de uma mesma emergência.

 

Primeiro, a necessidade de entender.

Depois, a necessidade de acompanhar.

E, durante toda a cobertura, a necessidade de informar.

 

Informações sobre o nível dos rios, áreas atingidas, pontos de acolhimento, estradas, doações e orientações de segurança podem mudar em poucas horas. Em uma situação como esta, comunicar também significa organizar informações, verificar fontes e ajudar a população a identificar onde buscar dados confiáveis.

 

As águas começam a recuar em parte do Vale do Ribeira, mas os efeitos permanecem nas casas, nas estradas, no campo e na rotina das famílias atingidas.

A cheia também mantém aberta uma discussão que não termina quando o rio volta à sua calha: como o Vale do Ribeira acompanha sua bacia, se prepara para eventos extremos, estrutura seus municípios e transforma informação, prevenção e planejamento em ações permanentes para o território.