O transporte por aplicativo já faz parte dos deslocamentos de mais de seis em cada dez moradores adultos da Região Administrativa de Registro, recorte que reúne 14 municípios do Vale do Ribeira. Apesar da presença significativa do serviço, a região aparece entre as áreas do Estado de São Paulo com menor proporção de usuários dessa modalidade.
Os dados fazem parte da pesquisa Seade SP Social, que analisou os hábitos de mobilidade da população paulista. O levantamento ouviu 8.189 moradores com 18 anos ou mais, entre maio e junho de 2026.

No Estado de São Paulo, 76% dos entrevistados afirmaram utilizar transporte por aplicativo. Desse total, 26% recorrem ao serviço com frequência e 50% utilizam de vez em quando.
O cenário regional é diferente. A Região Administrativa de Registro aparece junto de Araçatuba, Presidente Prudente, Marília e Itapeva entre os menores índices de utilização. Mesmo nesses territórios, porém, os aplicativos já alcançam a maioria da população adulta. A menor proporção registrada no estado foi na região de Itapeva, onde 60% disseram utilizar o serviço.

Aplicativo funciona como complemento aos deslocamentos
A pesquisa também indica que o crescimento dos aplicativos não significa necessariamente abandono de outros meios de transporte.
No conjunto do Estado, 67% dos entrevistados disseram utilizar carro próprio e 57% afirmaram recorrer ao transporte público. Outros 33% utilizam táxi e 30%, motocicleta. Como uma mesma pessoa pode utilizar diferentes modalidades, os dados apontam para uma rotina em que os meios de transporte são combinados de acordo com cada deslocamento.
Para 77% dos paulistas entrevistados, os aplicativos ajudam principalmente quando o transporte público demora ou é difícil de utilizar. Entre aqueles que já utilizam transporte coletivo, a concordância com essa afirmação chega a 80%.
Esse dado, porém, é estadual e não representa especificamente a realidade dos municípios do Vale do Ribeira.
Corridas curtas aparecem entre os principais usos
Quase metade dos usuários paulistas, 47%, afirmou utilizar aplicativos para chegar a locais próximos. Outros 19% disseram recorrer ao serviço para destinos considerados distantes.
O valor das viagens também ajuda a mostrar como o serviço é utilizado: 78% das corridas custam até R$ 30. Dentro desse grupo, 33% custam até R$ 15 e 45% ficam entre R$ 16 e R$ 30.
Para a Fundação Seade, a presença expressiva de viagens curtas reforça a possibilidade de utilização dos aplicativos como complemento a outros meios, principalmente em trechos específicos do deslocamento.
Uso aumentou no último ano
Entre os paulistas que já utilizam transporte por aplicativo, 40% afirmaram ter aumentado a frequência das corridas nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 13% disseram ter começado a utilizar esse tipo de serviço durante o mesmo período.
Entre os 24% que não utilizam aplicativos no estado, 51% afirmaram não precisar do serviço e 17% citaram o preço como motivo. Nas famílias com renda de até um salário mínimo, o custo foi apontado por 30% dos entrevistados que não utilizam a modalidade.
A segurança também aparece de formas diferentes na pesquisa. Para 58% dos entrevistados, os aplicativos ajudam a evitar situações de risco, percentual que chega a 69% entre usuários frequentes. Por outro lado, 9% daqueles que não utilizam o serviço apontaram justamente a insegurança como uma das razões.
Dados mostram avanço também fora dos grandes centros
O levantamento mostra que o transporte por aplicativo deixou de estar concentrado apenas nas grandes cidades paulistas. Mesmo em regiões com municípios menores, como ocorre no Vale do Ribeira, o serviço já é utilizado pela maioria dos moradores pesquisados.
Ao mesmo tempo, a diferença entre a Região Administrativa de Registro e áreas com índices próximos ou superiores à média estadual indica que disponibilidade do serviço, tamanho das cidades, características dos deslocamentos e oferta de transporte público podem influenciar a adesão. A própria Fundação Seade aponta esses fatores como possíveis explicações para as diferenças regionais.
O levantamento não apresenta dados separados para cada município da Região Administrativa de Registro. Por isso, os resultados não permitem afirmar, por exemplo, qual é a proporção específica de usuários em Registro, Cajati, Iguape ou Pariquera-Açu.
FONTE: Fundação Seade – pesquisa Seade SP Social “Mobilidade da população e transporte de passageiros por aplicativos”, divulgada em outubro de 2026.