Por Humberto Tobé e Fatima Crhistine
O Vale do Ribeira, uma das regiões mais preservadas da Mata Atlântica, enfrenta um desafi o que vai além da geografi a: garantir que pessoas com defi ciência tenham acesso contínuo à reabilitação sem precisar percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado.
Em um território onde o deslocamento já representa um obstáculo cotidiano, oferecer tratamento próximo de casa signifi ca ampliar direitos e reduzir desigualdades. Mais do que consultas e terapias, a autonomia depende de uma rede capaz de acompanhar cada paciente ao longo do tempo. Quando uma prótese ou órtese precisa de ajustes, manutenção ou substituição, a distância até o serviço pode signifi car semanas ou meses sem mobilidade, sem trabalhar, estudar ou exercer atividades básicas da vida cotidiana.
É justamente por isso que fortalecer os Centros Especializados em Reabilitação (CER) e as Ofi cinas Ortopédicas deve ser compreendido como uma estratégia de desenvolvimento humano e inclusão social. Já que uma prótese não é um produto acabado entregue ao paciente. Ela precisa ser ajustada às mudanças do corpo, ao processo de recuperação e às necessidades de cada pessoa.
Por isso, no Novo PAC Saúde, o Ministério da Saúde destinou R$ 400 milhões para ampliar a Rede de Cuidados à Pessoa com Defi ciência, contemplando a construção de novos Centros Especializados em Reabilitação e Ofi cinas Ortopédicas. Mais do que ampliar a infraestrutura, essa estratégia fortalece a regionalização da assistência e aproxima os serviços especializados da população.
Um Centro Especializado em Reabilitação (CER) equipado com Ofi cina Ortopédica representa uma organização de uma rede regional capaz de oferecer atendimento integral. Quando avaliação clínica, terapias, confecção de órteses e próteses, adaptação e acompanhamento são realizados no mesmo território, o sistema reduz deslocamentos, evita a fragmentação do cuidado e aumenta a efetividade dos recursos públicos.
O paciente deixa de percorrer diferentes municípios em busca de etapas distintas do tratamento, enquanto o gestor passa a coordenar uma linha de cuidado mais efi ciente e resolutiva.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional.