O escritor, jornalista e radialista Igor do Prado apresenta ao público seu romance de estreia, Ninguém Morre na Véspera, obra que transita entre a ficção e o ensaio biográfico para construir uma narrativa marcada pela memória, pela oralidade e pelos laços familiares.
A história parte de uma premissa sensível: imaginar os pensamentos finais de uma mãe em seu leito de morte. A partir desse ponto, o autor cria o fluxo de consciência de Valquíria, personagem que observa a rotina hospitalar enquanto revisita lembranças de uma vida marcada por desafios, conquistas, afetos e perdas.

Sem seguir uma ordem cronológica convencional, a narrativa se desenvolve por meio de memórias fragmentadas, aproximando o leitor da experiência humana diante da finitude. Passado e presente se encontram em uma prosa que mistura lembranças da infância, relações familiares, dificuldades econômicas e momentos cotidianos que ajudam a compor a identidade da personagem.
Valquíria é retratada como uma mulher forte e complexa, cuja trajetória é marcada pela criação dos filhos em meio às dificuldades da vida. Ao longo da obra, surgem reflexões sobre maternidade, desigualdade social, preconceito, superação e os vínculos que permanecem mesmo diante da ausência.
Outro destaque do livro está na linguagem. A escrita preserva a oralidade, os regionalismos e as expressões populares, valorizando a autenticidade da voz da personagem e aproximando o leitor de suas experiências, pensamentos e emoções.

Ninguém Morre na Véspera propõe uma reflexão sobre a vida e a forma como as memórias ajudam a construir sentidos para a existência. A obra surge como um exercício literário de reconexão entre mãe e filho, transformando lembranças em narrativa e afeto em legado.
Paulistano, jornalista, radialista e escritor, Igor do Prado atua como coordenador de comunicação no Sesc Registro. Em seu primeiro romance, o autor reúne elementos da memória, da oralidade e das relações humanas para construir uma história que convida o leitor a refletir sobre a força dos vínculos familiares e os significados que permanecem mesmo após a despedida.
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