A relação entre alimentação, território, agricultura e identidade esteve no centro dos "Diálogos sobre a Cultura Alimentar: De onde vem e para onde vai o nosso alimento?", evento realizado no dia 4 de setembro, em Registro (SP). A atividade foi promovida pelo Sesc, em parceria com a Fundação Japão em São Paulo, e contou com o apoio da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro (Bunkyo).

A programação propôs uma reflexão sobre os processos invisíveis por trás do prato do dia a dia: a produção agrícola, os saberes tradicionais transmitidos entre gerações, as transformações dos hábitos alimentares e a relação direta entre produtores e consumidores.

 

Durante o evento, Keita Yamada, representante da Fundação Japão, destacou as iniciativas da instituição voltadas à gastronomia e ressaltou os laços com Registro. Ele citou a histórica produção de chá no município e manifestou interesse na continuidade de projetos na região.

 

Agricultura e desafios compartilhados

 

Um dos convidados foi o antropólogo e professor Ryu Yoshimura, pesquisador de comunidades nipo-brasileiras ligadas à agricultura no estado de São Paulo.

Em sua palestra, Yoshimura abordou o futuro da produção de alimentos. Segundo ele, Brasil e Japão enfrentam desafios simultâneos no campo que abrem margem para ampliar o diálogo sobre formas sustentáveis de cultivo e sobre as mudanças sociais no meio rural.

 

A discussão inseriu a agricultura em um contexto mais amplo, envolvendo família, comunidade, memória e organização social — reforçando a importância de compreender a origem do que consumimos e o trabalho por trás de cada etapa da cadeia produtiva.

 

Culinária nipo-brasileira como identidade

 

A chef Telma Shimizu apresentou outra dimensão do tema ao abordar a construção da culinária nipo-brasileira.

Telma destacou como a imigração japonesa e o uso de ingredientes nativos do Brasil contribuíram para a criação de uma identidade gastronômica própria. Para a chef, essa trajetória representa memória afetiva e a história de famílias que ressignificaram sua relação com a comida ao longo das gerações.

 

A reflexão foi reforçada pelo relato de Felipe Mendonça, participante do evento, que sublinhou a importância de resgatar as técnicas trazidas pelos primeiros imigrantes e sua adaptação aos insumos locais — chamando atenção para o cultivo de frutas, legumes e raízes antes de chegarem à mesa.

 

Alimentação como patrimônio territorial

 

Ao integrar pesquisa, prática agrícola e gastronomia, o encontro reafirmou a alimentação como parte essencial da construção cultural de um território. Conhecer a origem de um alimento exige reconhecer quem produz, preservar saberes e observar as transformações sociais que impactam o modo de plantar, cozinhar e consumir.

 

Em Registro e em todo o Vale do Ribeira, onde a agricultura e a presença da comunidade nipo-brasileira fundam a história regional, o debate aproxima o cotidiano de temas fundamentais como memória, sustentabilidade e identidade.

 

Assista à cobertura completa:

A equipe da Ribeira Plus acompanhou o evento e preparou uma reportagem especial com trechos das palestras e depoimentos exclusivos dos participantes. Confira o vídeo na íntegra no canal da Ribeira Plus no YouTube.